A Prefeitura de Mariana, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, lançou nesta terça-feira (21) o Programa de Monitoramento Contínuo da Glicose. A iniciativa é destinada a crianças de 2 anos a 12 anos, 11 meses e 29 dias diagnosticadas com Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1).
O evento de lançamento ocorreu no Centro de Convenções e reuniu autoridades municipais, profissionais da saúde e famílias. O objetivo do programa é ampliar o acesso a tecnologia no acompanhamento da doença, reduzindo a rotina de punções diárias e proporcionando um controle mais preciso dos níveis glicêmicos.
O Programa oferece sensores que medem os níveis de glicose no sangue de forma contínua, sem a necessidade das tradicionais picadas no dedo realizadas várias vezes ao dia. Essa tecnologia permite que crianças e famílias acompanhem as variações glicêmicas em tempo real, favorecendo decisões mais rápidas e seguras sobre alimentação, aplicação de insulina e rotina diária.
O acesso segue um fluxo estabelecido pela Secretaria de Saúde. Quem ainda não é acompanhado por endocrinologista deve procurar a Unidade Básica de Saúde de referência e solicitar o encaminhamento. Na consulta, o profissional realiza a avaliação clínica e preenche o requerimento para solicitação do sensor. Em seguida, a documentação exigida é apresentada na farmácia de referência, e a Secretaria verifica se os critérios do protocolo foram cumpridos. Aprovado o pedido, o paciente recebe os dispositivos e é orientado sobre o uso correto do equipamento, permanecendo sob acompanhamento da equipe de Atenção Primária à Saúde, com renovação do benefício a cada seis meses.
Para o endocrinologista Lucas Diniz, responsável pelo acompanhamento de pacientes, a iniciativa representa avanço e cuidado com crianças que convivem com DM1. Ele afirmou: “É um passo revolucionário no tratamento do diabetes. Só quem tem um filho com diabetes sabe o que é o medo da hipoglicemia, principalmente durante a madrugada, é o grande pavor dos pais. Poder monitorar a glicose sem a picada no dedo traz tranquilidade para as famílias. E não é só o conforto de não furar o dedo: o monitoramento contínuo reduz episódios de hipoglicemia e melhora a hemoglobina glicada desses pacientes em torno de 0,6, o que, ao longo dos anos, representa um risco menor de complicações.”
Têm direito ao benefício crianças residentes em Mariana e com cadastro ativo na Unidade Básica de Saúde de referência, na faixa etária de 2 anos a 12 anos, 11 meses e 29 dias, com diagnóstico confirmado de Diabetes Mellitus Tipo 1 e laudo médico emitido pelo SUS. A partir dos 4 anos, também é exigida a comprovação de matrícula em instituição de ensino do município.
Roberta Castro, que vive com diabetes tipo 1 desde os 7 anos de idade e hoje tem 34, compartilhou sua experiência. Ela relatou que o controle antes era feito com insulina suína e teste de urina, com picadas no dedo muito mais de quatro vezes por dia. Com o sensor, que usa desde 2020, ela tem todo o histórico e consegue entender o impacto da alimentação, ajustando a insulina com mais segurança. Para ela, o monitoramento contínuo é “qualidade de vida, é segurança e é liberdade para quem tem diabetes e para as famílias.”
Jaqueline Flausino, mãe de Isadora Flausino, atendida pelo programa, relatou o impacto do diagnóstico da filha em 2022, aos 7 anos, e da nova tecnologia. Ela mencionou que eram necessárias muitas picadas diárias para manter o controle glicêmico. Com o sensor, além do aparelho que faz a leitura, os pais também têm acesso às informações pelo aplicativo no celular. Segundo Jaqueline, o sensor “traz muito mais autonomia, segurança e qualidade de vida para quem tem diabetes tipo 1, seja criança ou adulto.”
Para dar entrada no programa, é necessário apresentar laudo médico preenchido pelo endocrinologista, prescrição médica, comprovante de residência, declaração de matrícula escolar (para crianças a partir de 4 anos) e cartão do SUS e CPF, originais e cópias. O benefício é renovado a cada seis meses, mediante nova prescrição e laudo médico atualizados, além dos demais documentos.
Famílias de crianças com Diabetes Mellitus Tipo 1 que se enquadrem nos critérios estabelecidos podem buscar mais informações sobre o cadastro no Programa de Monitoramento Contínuo da Glicose na Unidade Básica de Saúde de referência ou junto à Secretaria Municipal de Saúde de Mariana.


